Por muito tempo, a empatia foi tratada no ambiente corporativo como um “soft skill” secundário, ou seja, algo bom de se ter, mas não essencial. Esse tempo, felizmente, acabou.
Os números são claros. O relatório State of Workplace Empathy 2025, da Businessolver, revelou que organizações percebidas como não empáticas perdem bilhões de dólares anualmente com turnover, problemas de saúde mental e ambientes tóxicos. Ainda assim, quase 60% dos CEOs ainda tratam empatia como um “benefício opcional”.
A pesquisa Panorama da Liderança 2025, da Amcham em parceria com a Humanizadas, ouviu 765 executivos e constatou: 68% apontam a liderança como o maior fator de retenção ou evasão de talentos. Em outras palavras, profissionais não pedem demissão de empresas: PEDEM DEMISSÕES DE LÍDERES! E 72% dos entrevistados atribuem o baixo engajamento à ausência de líderes inspiradores.
O dado mais alarmante vem do estudo conduzido pela ABRH Brasil e pela HR Tech Umanni: apenas 32,6% dos profissionais brasileiros acreditam que suas lideranças estão preparadas para os desafios de gestão de pessoas. Ou seja, dois em cada três colaboradores não confiam em seus líderes.
É aqui que o RH assume um papel que vai muito além de processos seletivos e avaliações de desempenho. O RH deixa de ser uma área de suporte e se torna a principal arquiteta do desenvolvimento de lideranças empáticas.
Na prática, como fazer isso?
Primeiro, é preciso entender que empatia não é “ser bonzinho”. É a capacidade de compreender o que o outro está vivendo, mesmo sem concordar. É ouvir ativamente, criar segurança psicológica e tomar decisões considerando o impacto humano. Um líder empático não evita conflitos. Ele os gerencia com maturidade.
Segundo, o RH precisa estruturar jornadas de desenvolvimento que conectem autoconhecimento, inteligência emocional e desafios reais do negócio. Não adianta um treinamento de oito horas uma vez por ano. É preciso microlearning, mentorias, feedback 360° e diagnósticos contínuos.
Terceiro, a empatia precisa ser um critério de promoção. Enquanto promovemos gestores exclusivamente por resultados técnicos, seguiremos reproduzindo líderes que entregam metas, mas destroem equipes.
Um estudo da McKinsey, divulgado em 2026, revelou que líderes altamente empáticos aumentam a inclusão e o engajamento em 47%. Isso não é subjetivo. É dado. E dados são a linguagem que o C-level entende.
O RH que forma líderes empáticos não está apenas “cuidando do clima”. Está protegendo o negócio contra turnover, desengajamento e decisões mal informadas. A pesquisa da Amcham mostrou que 61% dos executivos consideram que líderes despreparados tomam decisões mal informadas que comprometem a estratégia.
Empatia não é fragilidade. É vantagem competitiva. E cabe ao RH liderar essa transformação.
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